"Então escrevo, me busco em frases feitas e frases inventadas, colocando uma palavra atrás da outra na tentativa de construir uma lógica, um atalho, uma emoção que eu consiga sustentar e repartir."

Martha Medeiros





Bebo-te aos poucos
Entra por meus ouvidos, uma enxurrada de saliva e calor
Sua presença inconfundível chega direto ao cérebro
E eu sorrio.

Peço mais, repetições infinitas
Incontroladas
Pouco não mais me basta

Provoca um calor em meu peito, trava a garganta
Não consigo falar
Não consigo mais não pensar

Força meus olhos a se fecharem
Minhas pernas a se fecharem.
Enquanto me corrói, borboletas no meu ventre te pedem
Clamam mãos que nunca serão minhas
Nem suas

Faz e refaz meus caminhos por dentro
Sai em forma de riso, olhar perdido, fala embriagada
Alguém poderia acusar-me de sádica
Ilusória
Inocente
Mas talvez seja sua ausência que o transforma em realidade.


Imagem: aqui






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